Um blog de Susana Rendall Rocha

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Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012

O bater das ancas


O movimento das ancas de uma mulher africana parece obedecer ao ritmo compassado do tambor como se de uma dança se tratasse.

Se todo o poeta é um sonhador e o escritor um inventor, diria eu inventando, eu que sou aspirante a poetisa e escritora, que o inventor do tambor se inspirou nas ancas de uma mulher africana quando criou esse instrumento.

A pele da mulata ou do tambor quanto mais sedosa e firme melhor é o som, conseguido com leves e suaves palmadas, percutidas no couro pelado de uma ou de outro.

De invento em invento e porque toda a mentira tem um fundo de verdade, diria ainda que das ancas de uma mulata nasceu o samba do Brasil, de uma negra, o semba de Angola e de uma mestiça o batuque de Cabo Verde.

Não há nada mais belo do que o bater das cadeiras de uma mulher africana, enquanto caminha.

Seja debaixo do calor tórrido de um dia de sol no deserto do Sahara ou sob o frio arrepiante do mais nórdico dos países, ela não afrouxa, não se acanha, não vacila, segue caminhando e vencendo adversidades.