Um blog de Susana Rendall Rocha

Um blog de Susana Rendall Rocha

Segunda-feira, 21 de Maio de 2012

Mindelo é fêmea

Mindelo é vaidosa e festiva, fêmea que gosta de se exibir.

No Carnaval canta e dança como nenhuma e na passagem de ano veste a sua melhor roupa e sai para se divertir até de manhã.

Mindelo é fêmea. 

Abre um sorriso largo aos seus visitantes, fala várias línguas e respira cultura. Encanta os marinheiros que chegam de longe e quase que instantaneamente se enamoram por ela e querem ficar. Embriagados pelo seu charme se são forçados a partir sabem que um dia irão regressar.

Mindelo é assim. A namorada de todo o cabo-verdiano que de todas as ilhas e da Diáspora chega para sentir o seu amor e respirar o seu calor.

Mindelo é fêmea.

Mas, como toda a mulher tem o seu lado cinzento e turbulento. Fustigada pelos azares da vida, pela dor, tem os seus dias maus. Irritada e orgulhosa faz questão de mostrar o descontentamento sem verter uma única lágrima.

Venta, grita, sopra, sacode a poeira do chão, bate portas e parece que nunca mais vai serenar. Maldosa e brincalhona levanta os vestidos das moças e estraga-lhes os penteados mas, não quer saber.

Mindelo é fêmea.

Depois chegam os rapazes em tronco nu e corpo atlético. Percebem a sua zanga e pegam nas pranchas e nas velas e acariciam os seus mares. Brincam nas suas ondas que quebram com força e arrefecem o seu mau humor.

De repente, ela parece esquecer-se de todos os males e se enamora novamente como se nada se tivesse passado.

Mindelo é assim … é menina, é mulher. É fêmea.

Domingo, 6 de Maio de 2012

Como raio entender o que as mulheres querem afinal?


Dizem que nós somos de Vénus e eles de Marte. Vimos de planetas diferentes e falamos línguas diferentes. Muitas vezes é essa a impressão que tenho, que falo venusês e eles respondem em martês

Sem sombra de dúvidas que há uma atracção inevitável entre homens e mulheres, pode ser pura física e mais nada a atracção natural e instantânea entre os opostos. Mas com o tempo se repelem e parece nunca ter havido afinidade

Pedimos atenção e eles entendem que estamos a fazer pressão
Queremos estar junto e eles entendem que é só pra controlar
Os nossos olhos brilham porque ele perguntou se mudamos o penteado e ele acha que não fez nada demais

Como se poderá criar um manual imparcial para que finalmente homens aprendam a lidar com mulheres e as mulheres compreendam melhor os homens?

Teria de ser escrito por um género intermédio entre homem e mulher, um ser novo, assexuado, só assim poderíamos desvendar o mistério e misturar Vénus e Marte como tanto desejamos. Sem conflitos nem confusões ou mal entendidos, sem os tão famosos “não foi nada disso que quis dizer”, “tu não me compreendes”, “não me ouves”, “não prestas atenção em mim”…

Sou subjectiva, eu sei mas do meu ponto de vista parece tão fácil compreender uma mulher. Mesmo assim, para os todos os confusos do sexo oposto há um truque que nunca falha: perguntar.

Perguntar como correu o dia, como está o filho, como prefere, quando pode ligar, o que fez de errado, o que deveria ter feito. E quando cansar de errar faça cábula, não falha nunca.

A mulher só quer perceber que ela interessa, que a sua opinião importa, que a valoriza, todas as mulheres gostam de poder contar com alguém por mais independentes que se afirmem.

Os homens querem paixão, fervor, bons momentos passados de preferência com a mulher que amam. Em troca só precisam de dar: atenção e carinho. (PS: Se precisar de mais a mulher em questão não vale o esforço)

Na prática o que isso quer dizer?
Imagine passar no videoclube e alugar exactamente o episódio da serie ou novela que ela vê; imagine enviar uma sms a meio da madrugada numa saída com amigos só pra dizer que não vê a hora de chegar em casa; imagine ela chegar a casa uma sexta à noite e você ter tudo para preparar o jantar e de esquebra as crianças já estão de banho tomado e tem um martini com azeitona em cima da mesa para ela; imagine aparecer para prestigia-la numa defesa de tese, acompanhar numa ida ao médico; ir a uma loja de lingerie com ela e pedir que ela escolha uma prenda em um dia normal e quando ela perguntar se esqueceu alguma data especial, responder que não é preciso data especial para lhe oferecer um pequeno presente.

Agora perguntam as mulheres quantos homens não sabem que isso resulta? Zero! Quantas se importariam de saber que ele faz isso para obter algo em troca: Zero (elas tb querem um motivo para dar); Quantos colocam isso em prática: poucos. Porquê? Talvez gostem de ser azucrinados e não saberiam viver sem isso.

Mas para os dois sexos há uma linguagem em comum: a do corpo. A linguagem corporal é a mais verdadeira e que traduz mais fielmente o que vai na alma.

Entenda o olhar, o que ele ou ela deixou por dizer, a posição do corpo quando está perto, o toque, o abraço.

Através da linguagem comportamental muitas perguntas se respondem em silêncio, sem esforço. Basta ter alguma sensibilidade para interpretar os sinais.

Quinta-feira, 26 de Abril de 2012

A Teoria da Relativização da Dor

Outro dia um amigo meu, de mais idade, ensinou-me uma frase que, segundo ele, pertence a um brasileiro. "O meu caixão não tem gavetas", frase simples mas com uma forte mensagem por trás.

Realmente a maior certeza que podemos ter é que desta vida apenas levamos bens imateriais. Os amores que sentimos, as risadas que damos, as experiências que partilhamos. 

Devíamos aprender a relativizar o que de negativo nos acontece e passar a dar mais valor ao positivo. Aprender que a vida é feita de escolhas: as nossas e as dos outros.

Escolhemos o que queremos comer hoje, escolhemos que queremos fumar ou deixar de o fazer, escolhemos experimentar drogas ou iniciar uma actividade desportiva, escolhemos se queremos ter filhos e o tipo de pais que queremos ser.

Mas os outros também fazem as suas escolhas. Quando um relacionamento acaba, não porque queremos mas porque o outro deixou de querer partilhar a sua vida connosco podemos escolher encarar isso como o fim do mundo ou aceitar que - tal como nós - ele tem o direito a fazer as suas próprias escolhas. E estas podem não nos incluir.

Escolhemos ser fortes ou fracos, insistir ou desistir.

Na teoria da relativização da dor podemos aprender a atribuir a importância devida - e não mais do que isso - a um amor que se vai, a uma doença que vem, a uma reprimenda do chefe ou a uma critica destrutiva.

Comparadas com a percepção de que a nossa vida terá um fim mais cedo ou mais tarde percebemos que não passam de pequenos obstáculos que podem ser oportunidades para crescer, para amadurecer e valorizar ainda mais tudo o que de bom esta vida nos traz sem muitas vezes darmos conta disso.

O simples prazer de amar alguém, de partilhar um sorriso, um pôr-do-sol, uma fatia de bolo de chocolate, um abraço, um mergulho no mar, um beijo apaixonado, um olhar de desejo, uma prenda inesperada, uma dança ou uma declaração de amor.

Contabilize o verdadeiro valor que tem dado a tudo isso que, com certeza, já aconteceu na sua vida. Não trabalhe demais, nunca pare de aprender e tenha certeza de que todas as pessoas que ama não têm dúvidas disso.

Porque o amanhã é tão incerto.

Segunda-feira, 23 de Abril de 2012

Sobre o sexo frágil - o masculino, claro!

Não, não sou boa moça!
Não sei ser nem quero aprender.

Não sou mulher de agradar por agradar.
Não abaixo a cabeça nem me calo. Tenho muito para dizer.

Sei que outras mulheres o fazem 
E sei que também conseguiria se quisesse
As que são boas moças muito ganham com isso. Mas, eu ... passo!

Não compactuo com a imagem de fragilidade que se associa ao sexo feminino
Quero acreditar na igualdade entre os sexos e por isso faço a minha parte.

Não espero benesses nem favorecimentos por ser mulher
Não quero privilégios pela minha condição
Não os reclamo para mim nem me vanglorio por isso.

Aliás muito me irritam os homens que abandonam uma discussão porque o adversário é feminino, que não debatem ideias politicas ou sociais porque não é assunto para se falar com uma mulher.

Não me dêem vantagens em corridas nem poupem argumentos comigo
Não direi no momento que não o façam mas, usarei todas as vantagens que tiver
E ganharei sem piedade

Não, não sou boa moça 
E sei usar a meu favor a minha condição de mulher.

Em qualquer combate é importante conhecer
as fragilidades do adversário para o vencer.

E hoje sei - caros amigos - que a maior fragilidade do homem
é acreditar que é a mulher o sexo frágil.

Sexta-feira, 13 de Abril de 2012

O pior da Guiné-Bissau são...os guineenses. Apelo dramático à comunidade internacional


In Blog Ditadura do Consenso
http://ditaduradoconsenso.blogspot.pt/

Mais de um milhão de guineenses estão reféns de militares...guineenses. Temos sido sacudidos e violentados, usurpam e tolhem-nos os nossos direitos, até o mais básico. Até quando mais a comunidade internacional vai tolerar que gente medíocre - alguma classe política, e militar faça refèm todo um povo? A históra endossará uma boa parte da responsabilidade à comunidade internacional.

Ajudem o povo da Guiné-Bissau; não os abandonem, agora, mais do que nunca. Tiveram todos os sinais de que uma insurreiçao era possível, ainda que desnecessária. Nada justifica o levantar das armas, é intolerável o disparo de armas pesadas numa cidade com mais de quatrocentas mil pessoas. É criminoso, acima de tudo. Tiveram tudo para estancar a hemorragia e a orgia de violência. Sabem há muito que este é um país que nasceu, cresceu e vive sob laivos de militarismo.

Agora, tudo está calmo. Não há tiros, nem feridos nas urgências e menos ainda corpos na morgue resultado de mais uma brutalidade da canalha. Não se sabe quem morreu - espero e desejo que ninguém tenha sido morto. Um país é o último, e único, refúgio seguro para o seu povo. Foi traumatizante ver mulheres e crianças a chorar; é triste ver homens e jovens a fugir de homens e jovens como eles. É desolador. Estou abatido, e, sobretudo cansado. Não tenho sequer forças para gritar.

Olho e registo tudo. Depois escrevo, na certeza de que alguém me vai ler e comungar dos mesmos sentimentos. O meu blogue, hoje, foi já acessado por mais de 50 mil pessoas. Ficará para a estatística. Teria preferido uma visita por dia, a ter de suportar cem mil pares de olhos tristes e enevoados: estão a matar-nos, estão a destruir as famílias, a tornar as crianças violentas.

O pior da Guiné-Bissau, meus caros...é o guineense!

Um abraço a todos,

António Aly Silva
Publicada por António Aly Silva em 00:35

Quinta-feira, 22 de Março de 2012

Velhos São os Trapos


Eu venho de um lugar onde faltam muitas coisas.

Venho de um país onde nem sempre à luz eléctrica ou água canalizada nas casas.

Venho de um continente onde as pessoas ainda moram em tribos, em casas de barro e nem sempre têm vestes e alimentação adequada para os filhos.

Venho de um lugar onde escadas rolantes, arranha-céus, aviões a jacto ou centros comerciais ainda são raridades.

Neste lugar tive a sorte de aprender muito cedo o que tem realmente valor.
Aprendi cedo o que algumas pessoas aprendem demasiado tarde. Que educação de nível superior não vem de universidades. Que a verdadeira felicidade vem de dentro, não se constrói à volta de bens materiais.

Para algumas pessoas tem mais valor não amamentar para ter corpos perfeitos, não ter velhos em casa e encaminha-los para lares, entregar a educação dos filhos a terceiros porque a carreira profissional não pode esperar.

Esse é o preço da modernidade, da globalização, dos novos tempos onde velhos costumes não têm lugar.

Venho de um lugar onde o que importa são os laços que criamos. Onde avós são mães duas vezes e onde a figura da pessoa mais velha da aldeia é a mais respeitada.

Sou africana e tive a sorte de – ainda menina – aprender que velhos são os trapos e que a verdadeira felicidade, como disse Tolstoi, está na própria casa, entre as alegrias da família.

Hoje tenho saudades tuas Vuza. Das vezes que me passas as mãos pesadas na barriga até passar a dor. Das vezes que me abrias a porta de madrugada para a mamã não perceber a que horas cheguei.

Das vezes que me admiravas e elogiavas quando eu me aprontava para sair. Mesmo das vezes em que me ralhavas eu tenho saudades. Saudades de ti, de esperar pelo teu 'deus libob em salvament', no carregado crioulo do Sal, antes de sair...

Quarta-feira, 29 de Fevereiro de 2012

Mei T'ston sem Trôk


Hoje o Jornal liberal fala sobre ... mim.
Esse pasquim politico mais que partidarizado feito por pseudo-jornalistas que nem tomates têm para assinar as barbaridades que escrevem.

Esse panfleto feito por seres superiores aos seus próprios olhos que jamais erraram chama-me hoje de jornalista 'impreparada' até onde li como se não soubessem que o jornalista trabalha com fontes e deve confiar na informação transmitida pelas mesmas embora muitas vezes também sejamos marionetes nas mãos das fontes que nos manipulam para fazer passar o que pretendem.

Demonstro despreparo, no entender desses deuses da comunicação, porque abordei uma questão polémica e divulguei duas versões da mesma história apurada junto de fontes supostamente fidedignas e que são contraditórias entre si.

Não tenho nenhum aparelho detector de mentiras e lidando com fontes corro riscos diariamente, ainda mais porque toda a história tem duas ou mais versões e eu sou falível. Não sou dona da verdade nem sou a justiceira do povo. E como qualquer outro ser humano erro mas, se erro, faço-o sempre tentando acertar e que atire a primeira pedra quem nunca errou.

Venham mais criticas dessas porque até me dá um certo gozo saber que a informação deste órgão sou eu, moi, je! E que até se baseiam na minha investigação para escrever - impreparados ao quadrado!

Mei t'ston nunca tive trôk, por isso, que ladrem os cães enquanto eu passo. São um óptimo exemplo daquilo que não se deve fazer nunca em jornalismo e repetem-no diariamente para felicidade dos professores de comunicação à procura de maus exemplos para mostrar aos alunos.

Tivesse esta terra uma autoridade para a Comunicação que funcionasse e os pasquins políticos não poderiam se auto-intitular meios de comunicação social.

Respondia pessoalmente a esse sacana se ele se identificasse mas, contento-me em despejar aqui o meu fel libertinno contra esse documento que de liberal só tem os arrotos encobertos pelo anonimato.

Eu identifico-me. Come get me now!

Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012

O bater das ancas


O movimento das ancas de uma mulher africana parece obedecer ao ritmo compassado do tambor como se de uma dança se tratasse.

Se todo o poeta é um sonhador e o escritor um inventor, diria eu inventando, eu que sou aspirante a poetisa e escritora, que o inventor do tambor se inspirou nas ancas de uma mulher africana quando criou esse instrumento.

A pele da mulata ou do tambor quanto mais sedosa e firme melhor é o som, conseguido com leves e suaves palmadas, percutidas no couro pelado de uma ou de outro.

De invento em invento e porque toda a mentira tem um fundo de verdade, diria ainda que das ancas de uma mulata nasceu o samba do Brasil, de uma negra, o semba de Angola e de uma mestiça o batuque de Cabo Verde.

Não há nada mais belo do que o bater das cadeiras de uma mulher africana, enquanto caminha.

Seja debaixo do calor tórrido de um dia de sol no deserto do Sahara ou sob o frio arrepiante do mais nórdico dos países, ela não afrouxa, não se acanha, não vacila, segue caminhando e vencendo adversidades.

Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2012

Ser Mulher


Gosto de estar nesta pele
De me sentir loba, felina.

Gosto de veneno e de fel
De me sentir masculina

Gosto quando é a tua vez de sofrer
De sofrer por mim
Ah gosto, não posso negar.

Gosto de sentir na boca o gosto do teu suor
Quando te faço transpirar

Gosto de sorrir por dentro quando te deixo acreditar
Que ganhas tu

Gosto de ser sedutora
De te prender na minha
E te deixar sem saída

Gosto de esconder as garras
De te apanhar de surpresa

Gosto de ser dona de mim
De pisar o chão com firmeza

Matar a minha própria sede
Saciar a minha própria fome
Olhar em frente e sorrir

Gosto de ser ... Mulher!

Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012

Contra Jesus … Eu?!


Normalmente evito falar ou discutir temas relacionados com religião. Evito conscientemente porque sei que é um tema que, assim como o futebol ou a política, pode suscitar rupturas graves entre amigos chegados, entre casais ou mesmo familiares próximos.

Assim, a maior parte das vezes quando percebo que se vai entrar nesse campo mantenho uma distância de segurança e se o interlocutor insiste digo mesmo que prefiro não abordar esse tema.

Escrevi há tempos um texto sobre discussões vãs e que não trazem nada de construtivo. Discutir convicções religiosas é sempre opção de quem não quer chegar a lado nenhum. Elas existem e devem ser respeitadas. Ponto.

Tenho amigos que definem discotecas da forma mais suja e imoral possível. Aceito, respeito e reservo-me o direito de discordar. Que dizem que o Carnaval é a festa da carne, onde acontecem as maiores orgias regadas a muito álcool e drogas. Aceito, respeito e reservo-me o direito de discordar.

Perguntar-me-ão: Mas se dizes que não falas sobre religião porque é que estás a falar agora? Simples: pisaram-me num calo.

Um coleguinha do meu filho a quem eu convidei com todo o amor e carinho para a festa de anos do Tiago disse à professora que não tinha gostado da festinha porque o pai disse que cantar “é pike é pike é pike” não é coisa de Jesus.

Ora bem, se eu respeito as convicções religiosas de cada um, então que respeitem as minhas também. Gosto de Carnaval, gosto de discotecas, gosto de rir, dançar e cantar e sei que isso também se faz em muitas casas religiosas e não aceito que me venham dizer que eu vivo sem Jesus na minha vida ou que façam uma criança pensar isso de mim ou da minha família que muito prezo.

Acredito num Deus que é amor, que é perdão e que não faz diferença entre os seus filhos e não em um deus que afasta pessoas só porque estão felizes, só porque cantam e dançam e festejam o facto de o filho ter completado mais um ano de vida.

Peco porque festejo o aniversário do meu filho? O que dizer dos pastores que roubam dinheiro dos fiéis, que são ‘flagrados’ em vídeo a ensinar aos outros pastores como sacar dinheiro de pessoas desesperadas? O que dizer dos padres que abusam de menores?

Cantamos o “é pike” e ainda cantamos “com quem será que o Tiago vai se casar”, brincadeirinhas herdadas dos brasileiros, a mesma nação deste pai que agora não participa nas reuniões de escola porque se vai falar do Carnaval, que deixou de praticar a sua capoeira porque é contra Jesus. Disse quem? Foi Jesus que disse que não aprova a capoeira?

A capoeira é uma dança, é uma modalidade desportiva, é uma herança histórica e cultural de que nos devemos orgulhar porque foi a forma original encontrada pelos escravos das senzalas brasileiras que com muita ginga conseguiram driblar a superioridade dos colonizadores armados.

Tenho cá para mim que Jesus ainda volta aqui para dizer alto e em bom som, (talvez até partilhe na Net para que todos fiquem a saber) que não foi ele quem disse que rir, dançar, cantar ou praticar desporto são formas pecaminosas de agir contra Deus.

Contaram-me a história de um Deus que ceava e bebia vinho com os seus apóstolos, mesmo com aquele que sabia de antemão que o trairia. Falaram-me de um Deus que impediu uma prostituta de ser apedrejada e julgada por homens que aparentemente mais santos pecavam muito mais com essa tentativa cruel de assassinato.

Falam sobre Ele, homens que se escondem atrás de vestes bordadas a ouro e jóias caras e contam a história de um Deus que se vestia de forma simples e calçava sandálias. Um tanto contraditória a forma como vivem alguns deles nos dias de hoje.

Mas, esta é a minha opinião e ninguém é obrigado a concordar, no entanto, reservando-se o direito de discordar deve aceitar que eu pense de forma diferente e aja de forma diferente porque de outro modo não passa de um radical, extremista e preconceituoso.